O rótulo de suplemento é desenhado para você olhar a frente. A informação que decide se vale a pena está atrás, em corpo 6.
1. Tamanho da porção — sempre primeiro
É o número que muda o significado de todos os outros. Um pote de 60 cápsulas parece dois meses. Se a porção é de 3 cápsulas, são 20 dias.
Marca que quer parecer barata aumenta a contagem de cápsulas e a porção junto. Quem lê só o “60 cápsulas” da frente não percebe.
2. Dose diária, não preço do pote
A única comparação honesta entre duas marcas:
preço do pote ÷ número de doses diárias = quanto custa seu dia
Um pote de R$ 80 com 60 doses custa R$ 1,33 por dia. Um de R$ 50 com 20 doses custa R$ 2,50. O mais caro na prateleira é o mais barato no uso.
3. A ordem dos ingredientes
É decrescente por quantidade. O primeiro da lista é o que mais tem.
Se você comprou por causa de um ingrediente específico e ele aparece depois dos excipientes, aromatizantes e antiumectantes, ele está lá em quantidade simbólica — o suficiente para constar no rótulo, não para fazer diferença.
4. Quem fabrica e quem vende
Rótulo regular traz razão social, CNPJ, endereço e a informação de regularização na ANVISA. Não é burocracia inútil: é o que permite rastrear o produto se algo der errado, e é o que separa um fabricante de um revendedor sem identificação.
Falta de CNPJ no rótulo é motivo suficiente para não comprar.
5. O que a lei não deixa o rótulo dizer
Suplemento alimentar não pode alegar que trata, cura ou previne doença. Se o rótulo ou o anúncio promete isso, ou o produto está irregular, ou está sendo vendido irregularmente.
Frase vaga como “auxilia no bem-estar” é permitida justamente por não afirmar nada verificável.
O teste de 30 segundos
- Qual o tamanho da porção?
- Quantas doses tem o pote?
- Quanto custa cada dose?
- O ingrediente que me interessa está no começo ou no fim da lista?
- Tem CNPJ e endereço?
Cinco perguntas. Se alguma não tiver resposta clara no rótulo, isso já é a resposta.
Perguntas frequentes
O que é 'porção' no rótulo?
Como comparo duas marcas com preços diferentes?
O que significa a ordem dos ingredientes?
Registro na ANVISA é obrigatório?
Conteúdo informativo, não substitui orientação de profissional de saúde. Alimentos e chás não são medicamentos e não tratam, curam nem previnem doenças. Gestantes, lactantes e pessoas em uso contínuo de medicamento devem consultar quem as acompanha.
- RDC 243/2018 (ANVISA), que estabelece requisitos para suplementos alimentares.